Brasil - Terça, 17 Janeiro 2017

Cassini - A Sonda Encontra a Possível Origem de um dos Anéis de Saturno

02 AGO 2007 - Os cientistas da Cassini podem ter identificado a fonte de um dos mais misteriosos anéis de Saturno. O anel G de Saturno é produzido provavelmente por partículas de gelo, relativamente grandes que residem dentro de um brilhante arco na borda interna do anel.

As partículas estão confinadas dentro do arco pelos efeitos gravitacionais da lua de Saturno Mimas. Micro meteoróides colidem com as partículas, liberando partículas menores, do tamanho de poeiras, que iluminam o arco. O plasma no campo magnético do planeta gigante varre este arco continuamente, empurrando para fora as finas partículas, que criam o anel G.

A descoberta é a evidência da complexa interação entre as luas de Saturno, os anéis e a magnetosfera. Estudar esta interação é um dos objetivos da Cassini. O estudo está na edição de 02 AGO do jornal Science e foi baseado nas observações feitas por múltiplos instrumentos da Cassini entre 2004 e 2005.

"Imagens distantes das câmeras nos mostraram onde estava o arco e como ele se movia, enquanto medições do plasma e da poeira feitas próximas ao anel G nos mostraram quanto material havia lá," disse Matthew Hedman, um integrante da equipe de imagens da Cassini da Universidade de Cornell, Ithaca -  NY, e autor principal do artigo da Science.

Os anéis de Saturno são uma estrutura enorme e complexa, e sua origem é um mistério. Os anéis são denominados pela ordem em que foram descobertos. Partindo de fora para dentro são eles: o D, C, B, A, F, G e E. Os anéis principais - A, B e C de uma borda a outra, encaixariam quase que perfeitamente na distância entre a Terra e a Lua. Os anéis mais transparentes são o D - interior ao C - e o F, E e G, fora dos anéis principais.

Diferentemente dos outros anéis de poeira de Saturno, tais como os anéis E e F, o anel G não está associado intimamente com luas que poderiam ou fornecer material diretamente para ele - como Enceladus faz com o anel E - ou esculpir e perturbar suas partículas - como Prometheus e Pandora fazem com o anel F. A localização do anel G continuava a desafiar as explicações, até agora.

As imagens da Cassini mostram que o brilhante arco dentro do anel G tem o comprimento de um sexto da circunferência de Saturno e cerca de 250 quilômetros de largura (155 milhas), muito mais fino que os 5.995 quilômetros de largura (3.700 milhas) do anel G. O arco foi observado várias vezes desde a chegada da Cassini em 2004 ao planeta dos anéis, e parecia ser uma estrutura que existe há muito tempo. Existe um distúrbio gravitacional causado pela lua Mimas próximo ao arco.

Como parte de seu estudo, Hedman e colegas conduziram simulações em computador que mostraram que perturbações gravitacionais de Mimas poderiam realmente produzir tal estrutura no anel G. O único outro lugar onde existe tal distúrbio no sistema solar é no sistema de anéis de Netuno.

O instrumento de imagem magnetosférica detectou uma redução de partículas carregadas próximo ao arco em 2005. De acordo com os cientistas, uma massa ainda não detectada deve estar absorvendo estas partículas. "Os pequenos grãos de poeira vistos pela câmera da Cassini não são suficientes para absorver elétrons energéticos," disse Elias Roussos do Instituto Max Planck para Pesquisa do Sistema Solar, na Alemanha, e membro da equipe de imagem magnetosférica. "Isto nos mostra que há mais massa ainda distribuída dentro do arco."

Os pesquisadores concluíram que há uma população de corpos maiores, porém ainda não detectados, se escondendo no arco, variando do tamanho de uma pera até pequenas rochas. A massa total destes corpos é equivalente àquela de uma pequena lua, rica em gelo com cerca de 100 metros de largura.

Joe Burns, co-autor do artigo da Universidade de Cornell e membro da equipe de imagem, disse, "Nós teremos uma super-oportunidade de encontrar os corpos que originam o anel G, quando a Cassini voar a cerca de 500 quilômetros do arco daqui há18 meses."

 

Texto traduzido do site http://saturn.jpl.nasa.gov


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